Por: Danielle Guirra, 21 anos, Estudante de Jornalismo da UDF, Ex estudante e atual Educadora Popular da Rede Emancipa em Planaltina, Estagiária da Secadi no Ministério da Educação.
Ex-candidata ao Governo do Distrito Federal e ex-conselheira tutelar, Keka disputa uma das 24 cadeiras da Câmara Legislativa
A disputa de Keka Bagno por uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal pode marcar a chegada da primeira mulher negra de esquerda eleita para a Casa. Candidata do PSOL, Keka construiu sua trajetória entre a atuação no Conselho Tutelar, o Movimento Negro Unificado e as disputas eleitorais. Em 2022, foi a primeira mulher negra a concorrer ao Governo do Distrito Federal e também a primeira candidata assumidamente LGBT ao cargo.
Assistente social e mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), Keka foi eleita conselheira tutelar em 2016 e 2019, quando teve a maior votação. Antes de disputar o governo, também foi candidata a vice-governadora em 2018.
Para ela, uma possível chegada à CLDF não representa apenas uma conquista individual. “Quero ser lembrada de ter várias mulheres negras candidatas e que a gente consiga eleger mais de uma”, afirma.
Keka também aponta dificuldades dentro das próprias estruturas partidárias. “Os partidos políticos têm a mesma violência que a sociedade tem. E dentro da esquerda também”, diz a candidata
A importância da representação, segundo ela, aparece também em situações do cotidiano. Durante uma atividade na Rodoviária do Plano Piloto, Keka conta que foi abordada por uma senhora negra de aproximadamente 70 anos. A mulher olhou para o panfleto, depois para ela, e perguntou: “É você?”.
“Eu falei: ‘Porque a gente nunca se vê aqui, né?’. Ela falou: ‘Eu nunca vi’. Cara, isso bate que a gente fica assim, emocionada mesmo”, relata Keka
Para Keka, o episódio demonstra a distância entre a presença de mulheres negras na sociedade e nos espaços de poder. “Uma senhora de 70 anos, ela nunca vê isso”, reflete a candidata sobre a falta de representatividade dentro da política no Distrito Federal.
A Câmara Legislativa possui 24 cadeiras e atualmente quatro são ocupadas por mulheres. Elas representam 51,84% da população do Distrito Federal, mas correspondem a 16,67% da composição da Casa, segundo levantamento da própria CLDF.
Nas eleições de 2026, as mulheres representam 35% das candidaturas registradas para deputado distrital, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados pela Câmara Legislativa.
É nesse cenário de participação ainda desigual que Keka disputa uma vaga no Legislativo. Para ela, ocupar esse espaço também significa criar condições para que outras mulheres negras cheguem à política. “É uma reparação histórica e a gente tá fazendo pra que outras mulheres negras se fortaleçam e possam vir também”, finaliza a candidata.