Recentemente, a candidata e ex-deputada Julia Lucy voltou a fazer ataques contra pessoas trans, utilizando a transfobia como tema de mobilização política e eleitoral. As declarações estimulam medo e preconceito contra a população trans e transforma seus direitos em instrumento de propaganda.
No início do ano, Keka Bagno apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público contra a candidata por ataques transfóbicos dirigidos à deputada federal Erika Hilton, após sua chegada à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Mais uma vez, sob a justificativa de “defesa das mulheres”, os direitos e a existência das pessoas trans são colocados no centro de uma disputa política. Mas defender as mulheres significa enfrentar todos os problemas que afetam suas vidas.
Defender as mulheres é combater a violência contra todas
Onde estão as propostas para enfrentar os feminicídios e a violência contra as mulheres? E as políticas públicas para mulheres que passam fome, mães solo, mulheres sem acesso a creches, trabalhadoras vítimas de assédio e mulheres negras e periféricas que enfrentam jornadas exaustivas?
Uma política realmente comprometida com os direitos das mulheres precisa enfrentar todas essas questões. E precisa também garantir os direitos das mulheres trans.
Não existe defesa das mulheres quando uma mulher é atacada para supostamente proteger outra. Mulheres trans são mulheres e precisam estar incluídas nas políticas de enfrentamento à violência, à discriminação e à desigualdade.
Transfobia não é defesa das mulheres
Transformar a população trans em alvo de propaganda eleitoral não resolve os problemas que afetam as mulheres no Distrito Federal.
O DF precisa de propostas concretas para combater a violência contra as mulheres, enfrentar o feminicídio, ampliar as políticas de cuidado e garantir direitos para mulheres negras, periféricas, trabalhadoras, mães solo e mulheres trans.
Atacar uma mulher para dizer que está defendendo outra não é defender as mulheres. É reproduzir uma lógica de violência e discriminação.
Keka Bagno defende todas as mulheres
Enquanto o TRE-DF, após pedido do PSOL-DF, determinou a suspensão imediata de uma propaganda eleitoral de candidata do PL que veiculava conteúdo transfóbico, Keka Bagno segue defendendo uma política que inclua todas as mulheres.
A defesa dos direitos das mulheres precisa combater a violência e a discriminação em todas as suas formas. Isso significa defender mulheres negras, periféricas, trabalhadoras, mães solo e mulheres trans.
Mulheres trans são mulheres. Transfobia não é defesa das mulheres. Transfóbicos e transfóbicas não passarão!